O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), em parceria com a Rede de Vigilância Aedes da África Ocidental (WAASuN), acolheu, de 15 a 19 de junho, na cidade da Praia, a 6.ª Reunião da WAASuN e a 1.ª Conferência Internacional sobre Arbovírus, um evento científico de referência que reuniu especialistas, investigadores e profissionais de saúde pública de vários países africanos e de instituições internacionais para debater estratégias inovadoras de vigilância e controlo das doenças transmitidas por vetores. A iniciativa decorreu sob o tema “Reforço da vigilância entomológica regional no contexto das alterações climáticas, inovação e ação integrada em resposta a ameaças emergentes”.
A programação incluiu dois dias de workshops de capacitação dedicados à genómica da resistência a inseticidas em mosquitos Aedes, seguidos de três dias de conferência científica, durante os quais foram apresentados trabalhos de investigação, sessões plenárias, comunicações orais, apresentações de posters e momentos de intercâmbio científico entre especialistas provenientes da África, Europa e Estados Unidos da América.
Para a Presidente do INSP, Doutora Maria da Luz Lima, o facto de a WAASuN voltar a escolher Cabo Verde para acolher este encontro internacional constitui um importante reconhecimento da capacidade científica e técnica do país.
“É a segunda vez que esta rede escolhe Cabo Verde para realizar a conferência. A primeira foi em 2023 e agora regressam em 2026. Isso demonstra que a experiência anterior foi muito positiva e que houve reconhecimento do trabalho desenvolvido no país”, ressaltou.
A responsável salientou igualmente que a realização dos workshops nos laboratórios do Instituto, em particular no Laboratório de Entomologia Médica, evidencia o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pelo INSP na vigilância entomológica.
Segundo explicou, este laboratório desempenha um papel determinante na vigilância dos mosquitos Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão da dengue, zika, chikungunya e febre amarela, bem como dos mosquitos Anopheles, transmissores do paludismo. O reconhecimento internacional alcançado pelo laboratório resulta de vários trabalhos científicos publicados e do contributo prestado para a certificação de Cabo Verde como país livre da malária.
A conferência contou com a participação de membros da WAASuN provenientes de diversos países africanos, bem como especialistas de instituições de referência, entre as quais os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), universidades e centros de investigação internacionais. Ao longo dos trabalhos foram debatidos temas relacionados com a vigilância entomológica, genómica, resistência a inseticidas, ecologia vetorial, alterações climáticas e gestão integrada de vetores, que promoveu a partilha de evidências científicas e de boas práticas para reforçar a resposta às arboviroses na região.
Maria da Luz Lima considera que o encontro representou uma mais-valia para Cabo Verde, não apenas pela qualidade científica das apresentações, mas também pelo impacto na capacitação dos profissionais nacionais.
“Todos os técnicos que participaram, não só do INSP, mas também dos serviços de saúde, médicos e outros profissionais, saíram daqui com um grande aprendizado. Esse conhecimento contribuirá para que Cabo Verde esteja cada vez mais forte e resiliente na vigilância das doenças de transmissão vetorial, sobretudo num contexto de alterações climáticas.”
A Presidente do INSP destacou ainda que os objetivos da conferência foram amplamente alcançados, e sublinhou a elevada qualidade dos trabalhos científicos apresentados e o potencial de aplicação das experiências partilhadas no contexto nacional.
“A partilha de experiências que ocorreu aqui e a possibilidade da sua implementação no país constituem um dos principais resultados desta conferência”, afirmou.
No entender da responsável, um dos maiores legados deste encontro será o fortalecimento das redes de colaboração científica entre os países africanos, na promoção de respostas conjuntas aos desafios comuns da saúde pública.
“A constituição de redes estruturantes na nossa região será fundamental para enfrentar desafios comuns. A colaboração entre os países permitirá reforçar a vigilância numa perspetiva de sustentabilidade, cada vez mais baseada na ciência, e contribuir para consolidar a segurança sanitária nacional, regional e internacional”, completou.
Membro da WAASuN, o INSP tem vindo a consolidar o seu papel como parceiro estratégico no fortalecimento da vigilância entomológica na África Ocidental. A realização desta conferência em Cabo Verde reafirma o reconhecimento internacional das capacidades técnicas e científicas do Instituto e reforça o compromisso nacional com a investigação, a inovação e a cooperação internacional para a prevenção e controlo das doenças transmitidas por vetores.





































