Cinco anos depois de se ter iniciado em Cabo Verde o Primeiro Programa de Formação dos Epidemiologistas de Campo do nível básico, hoje com mais de 100 profissionais formados, o Instituto Nacional de Saúde Pública iniciou na cidade da Praia, a sua primeira formação em epidemiologista de campo de nível intermediário.
Uma grande iniciativa que visa essencialmente reforçar a capacidade nacional de resposta no contexto da vigilância sanitária e proteção da saúde pública. O objetivo concreto é formar uma rede de até 18 profissionais no país, com as habilidades, conhecimentos, competências e atitudes para produzir relatórios de eventos e cenários de saúde pública; avaliar sistemas de vigilância; conduzir investigação de surto usando epidemiologia descritiva; estruturar e escrever resumos científicos, relatórios de vigilância e relatórios de investigação de campo e participar de estudos epidemiológicos.
Trata-se de uma formação com a duração de 9 meses, e uma carga horária de 564 horas, organizado em cinco módulos que utiliza o método aprendizado híbrido, juntando exposições dialogadas em sala de aula, orientações virtuais e presenciais e trabalho de campo orientados.
Os presentes na sessão de abertura da formação, hoje, foram unanimes em reconhecer a importância desta ação para o fortalecimento do SNS. O Secretário de Estado da Saúde, Artur Veiga que presidiu o evento em nome do Ministro da Saúde, destacou que o investimento em recursos humanos qualificados é uma das estratégias mais seguras e sustentáveis para se proteger a saúde das populações e em particular a epidemiologia de campo ocupa um lugar central neste esforço, pois é através dela que se transforma dados em conhecimento, conhecimento em decisão e decisão em ação. São os epidemiologistas de campo que ajudam a identificar precocemente ameaças à saúde pública, a compreender padrões de transmissão de doenças a orientar intervenções eficazes e apoiar os decisores na definição de políticas baseadas em evidências.
Já a Ministra da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Eveline Ramos, considerou que para o sector que governa dispor de profissionais com formação nesta área representa uma mais-valia inestimável pois significa reforçar a capacidade de prevenir, detetar precocemente as ameaças sanitárias sobre as pessoas, os animais as plantas e a economia.
Maria da Luz Lima, Presidente do INSP, explicou que os formandos foram selecionados através de um processo rigoroso, orientado pelo princípio da representatividade nacional, mas também a inclusão dos profissionais da saúde humana, ambiental e animal. Garantiu também que o próximo passo é passar para um nível avançado de formação que deverá se materializar no futuro.
Esta formação está a ser implementado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública no âmbito do Projeto de Segurança Sanitária na África Ocidental e Central, e do Fundo pandémico, através da Unidade de Gestão de Projetos Especiais (UGPE) com o apoio do Banco Mundial, da ProEpi e da TEHPHINET.