A publicação, resultante de um trabalho multissetorial, reúne dados sobre a presença e distribuição de moluscos de importância médica e resultados da vigilância molecular da schistosomose urogenital em São Miguel, município de Santiago.
O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), através do Laboratório de Entomologia Médica (LEM), publicou o 1.º Boletim de Vigilância Malacológica em Cabo Verde, dedicado ao levantamento realizado no município de São Miguel, na ilha de Santiago. A publicação apresenta os resultados das atividades de campo e laboratoriais realizadas nos dias 23 de abril e 26 de maio de 2026, que contribuiu para ampliar o conhecimento sobre os moluscos de importância médica e os fatores associados à transmissão da schistosomose urogenital no referido município.
A produção do boletim insere-se no trabalho de vigilância e investigação malacológica que o o INSP tem vindo a desenvolver em São Miguel, em articulação com a Delegacia de Saúde local e diferentes parceiros nacionais e internacionais. A iniciativa enquadra-se no reforço da vigilância da schistosomose urogenital no município, onde têm sido identificados casos autóctones desde 2022. Causada pelo parasita Schistosoma haematobium (S.haematobium), a doença está associada à presença de moluscos do gênero Bulinus, que desempenham um papel importante no ciclo de transmissão.
O que revelou o levantamento?
Entre os principais resultados, o levantamento identificou a presença de moluscos em 8 dos 9 pontos visitados, tendo sido recolhidos 571 exemplares, pertencentes a três géneros. Destes, 84,24% eram Bulinus sp., um dado de particular relevância para a vigilância da schistosomose.
O trabalho de campo incluiu ainda uma componente complementar de vigilância epidemiológica. A análise molecular por PCR detetou S.haematobium nas 13 amostras de urina humana analisadas, estando prevista a sua posterior caracterização genética. A análise molecular dos moluscos recolhidos encontra-se igualmente em curso.
Os resultados obtidos constituem uma importante base de informação para o acompanhamento da situação no município e reforçam a necessidade de dar continuidade e ampliar a vigilância malacológica, epidemiológica e laboratorial, que permita acompanhar a evolução do risco e apoiar futuras ações de prevenção e controlo.



Uma investigação resultante do trabalho multissetorial
A elaboração do primeiro Boletim de Vigilância Malacológica resulta do trabalho conjunto de profissionais do Instituto Nacional de Saúde Pública, da Delegacia de Saúde de São Miguel, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANAS), da Direção Nacional do Ambiente (DNA), da Direção-Geral de Agricultura, Silvicultura, Pecuária e Segurança Alimentar (DGASP-DSPSA), da Direção Municipal de Ambiente e Água (DMAA) e da Câmara Municipal de São Miguel.
Esta articulação entre diferentes áreas e instituições permitiu integrar o trabalho de campo, a identificação dos moluscos e a componente laboratorial e molecular, fortalecendo a capacidade de produção de evidências para a vigilância da schistosomose em Cabo Verde.



A publicação deste 1.º Boletim de Vigilância Malacológica em Cabo Verde representa, deste modo, mais um passo no fortalecimento da vigilância integrada da schistosomose e na produção de conhecimento científico aplicado à saúde pública. A continuidade dos levantamentos malacológicos e das análises moleculares permitirá acompanhar a evolução da situação, identificar precocemente possíveis áreas de risco e apoiar a definição de medidas de prevenção e controlo baseadas em evidências.
Para conhecer em detalhe os resultados do levantamento, a distribuição dos moluscos identificados, os dados da vigilância molecular e as recomendações da equipa, consulte o 1.º Boletim de Vigilância Malacológica no Município de São Miguel, disponível para leitura integral, aqui.









