Realizou-se nesta quinta-feira, 29 de outubro, o 5.º workshop dedicado ao Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), que assinala a efeméride, sob o lema “Cada Minuto Conta”. Promovida pelo Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), em parceria com o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), a sessão decorreu nas instalações do HUAN e foi dedicada ao conhecimento epidemiológico, à abordagem clínica e à organização dos cuidados aos doentes com AVC.
O INSP é parceiro desta iniciativa desde 2021, ano do lançamento de “2021 – Ano do AVC”. Desde 2023, o lema “Cada Minuto Conta”, também adotado nesta edição, tem acompanhado as ações de sensibilização para a prevenção da doença, o reconhecimento dos sinais de alerta e a importância de uma resposta atempada.
Na componente científica, o programa destacou a apresentação do primeiro estudo epidemiológico hospitalar sobre o AVC no HUAN e a análise do perfil clínico, epidemiológico e dos fatores associados ao prognóstico de doentes com fibrilhação auricular e AVC acompanhados na Consulta de Cardiologia do hospital. Estas apresentações colocaram em foco a produção de conhecimento sobre a doença no contexto hospitalar cabo-verdiano.
A resposta dos serviços de saúde foi outro dos eixos do workshop, com apresentações sobre a primeira trombólise no Hospital Baptista de Sousa e os ganhos e desafios da implementação da Via Verde do AVC no Hospital Regional Santa Rita Vieira. O programa contemplou ainda o raciocínio clínico a partir de casos reais e a intervenção da fonoaudiologia nas dificuldades de deglutição e nas alterações da linguagem associadas ao AVC.
O encontro articulou, assim, diferentes dimensões dos cuidados, desde a investigação e a avaliação clínica até à resposta de urgência e à reabilitação, proporcionando a partilha de experiências entre estruturas de saúde.
Em Cabo Verde, segundo o Relatório Estatístico do Ministério da Saúde de 2022, foram registados, naquele ano, 942 óbitos por doenças do aparelho circulatório, que constituíram o principal grupo de causas de morte no país. No mesmo período, foram registados 345 óbitos por doenças cerebrovasculares.
Estes dados reforçam a necessidade de associar a melhoria dos cuidados à prevenção e ao controlo dos fatores de risco, com destaque para a hipertensão arterial, o tabagismo, a diabetes, a alimentação inadequada e a inatividade física. A sensibilização da população para os sinais de alerta e para a procura imediata de cuidados integra igualmente esta abordagem, traduzida no lema “Cada Minuto Conta”.











