Apesar de o país apresentar uma prevalência baixa das hepatites viras, o Instituto Nacional de Saúde Pública entende que não se deve baixar a aguarda, é o momento de apertar o cerco. O papel da sensibilização e informação da população continua sendo uma das estratégias principais para se alcançar o objetivo de eliminar as hepatites virais até 2030, de acordo com o Eric Frederico, membro do Conselho Diretivo do INSP.
Segundo este responsável, por ser uma doença silenciosa que pode passar anos sem dar sinais enquanto vai danificando o fígado de forma irreversível, o objetivo é sempre de alertar, mobilizar e lembrar que cada um de nos tem um papel na eliminação desta doença. No entanto, Frederico reconhece que com base no lema deste ano que é “Hepatites virais vamos desvendá-la”, ainda há muito silencio a vota da doença, por isso é preciso quebrar o silencia e as barreiras de acesso à informação, diagnóstico e tratamento as populações.
Para a coordenadora do Programa Nacional de Doenças de Transmissão Sexuais incluindo VIH, Marta Freire, a hepatite viral continua a ser uma das principais causas de morte por doenças evitáveis em todo o mundo. Cabo Verde é signatário da estratégia global da OMS para eliminação das hepatites virais até 2030, definida como uma redução de 90% dos casos e 65% das mortes. Apesar de reconhecer os avanços a nível nacional e os esforços que tem sido feitos para se cumprir os compromissos nesta matéria, nomeadamente o rastreio a todas as dádivas de sangue, a vacinação realizada nas maternidades do país onde 98,7% das mulheres optam por dar a luz, a mobilização de recursos financeiros para manter o programa de vacinação assumido na integra pelo estado, a implementação de testes rápidos da hepatites a todas as grávidas, Marte Freire reconhece que ainda persistem desafios que deve serem vencidos.
Designadamente reforçar a Coordenação e liderança para uma resposta sustentada, reforçar a gestão da informação sanitária para orientar as políticas baseadas em evidencias, melhorar o acesso, a prevenção, tratamento, cuidados e intervenção de apoio abrangentes, empoderar as comunidades e promover a sua participação, garantindo que os diretos humanos sejam respeitados, incluindo medidas de combate ao estigma.
Neste dia mundial de luta contra a hepatites viras, 28 de julho, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), em articulação com a Direção Nacional da Saúde e outros parceiros institucionais, realizou um conjunto de atividades com vista a aumentar o conhecimento da população sobre os fatores e incentivar a adoção de estilos de vida saudáveis. Teve lugar ainda uma Mesa Redonda com o objetivo de analisar a situação do país em relação a avanços, desafios e perspetivas, entre os profissionais de saúde, tendo em conta a situação epidemiológica, estratégias de abordagens, prevenção, diagnóstico e sensibilização.