Guardiões da Saúde: Cabo Verde e Brasil apresentam resultados do estudo testado nas comunidades

O Instituto Nacional de Saúde Pública de Cabo Verde (INSP) e a Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo (ProEpi), apresentaram no dia 11 de março, no Brasil, os resultados do estudo desenvolvido no âmbito do projeto Guardiões da Saúde – Líderes Comunitários.

O mesmo trata-se de um projeto piloto inovador que testou um modelo de Vigilância de Eventos Baseada na Comunidade (VEBC) com a participação direta de líderes comunitários, com o objetivo é fortalecer a vigilância local, garantindo detecção rápida de riscos e ações de saúde oportunas.

O evento de disseminação contou com a presença da presidente da PROEPI, Dra. Sara Mendes, do representante da UK Public Health Rapid Support Team (UK-PHRST), Dr. William Nicholas, do representante da Universidade de Brasília, Dr. Jonas Brant, e da presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública, Doutora Maria da Luz Lima Mendonça.

No discurso de abertura a presidente do INSP salientou que “para Cabo Verde esta iniciativa tornou-se numa oportunidade estratégica para reforçar a vigilância epistemológica, especialmente em contextos em que a proximidade com a comunidade é determinante para deteção precoce de eventos inusitados”.

Realçou ainda, que foi um projeto muito acarinhado, particularmente, pelo INSP, que atua na área de vigilância, gestão de emergências em saúde pública, investigação científica e formação e que tem como meta continuar a fortalecer o Sistema Nacional de Saúde (SNS) de Cabo Verde. 

Ainda explicou que, “no contexto da globalização, Cabo Verde precisa andar de mãos dadas, e que o projeto, mesmo sendo piloto e envolver apenas a ilha de Santiago, permitiu reforçar os mecanismos de alertas precoce, promover uma proximidade entre os serviços e as comunidades, fortalecer a capacidade nacional de vigilância epidemiológica ao capacitar os líderes comunitários locais, e criar uma rede de vigilância muito mais sensível participativa, resiliente e inovadora”

Ademais, frisou que se trata de um projeto novo para o país e os resultados serão muito importantes com olhos postos nos desafios e os próximos passos que Cabo Verde terá que dar para que VBE seja implementada de forma eficaz.

Resumidamente, os resultados são do projeto piloto inovador que testou um modelo de Vigilância de Eventos Baseada na Comunidade (VBE) de 2023 a 2026 com a participação direta de líderes comunitários, visando fortalecer a vigilância local, garantindo a detecção rápida de riscos e ações de saúde oportunas.

Os objectivos do projecto foram: Verificar a agilidade e eficácia de um sistema de vigilância comunitária, treinamento de líderes comunitários e profissionais de saúde, desenvolvimento de ferramentas digitais adaptadas para o contexto local e avaliação da aceitabilidade e o potencial de ampliação do modelo.

Salienta-se que o projeto teve 5 fases:

Fase 1: Preparação e design, ajustes de ferramentas, definição de fluxos e materiais de treinamento;

Fase 2: Mapeamento e recrutamento de lideranças, identificação e convite de líderes comunitários-chave para o projeto;

Fase 3: Capacitação dos participantes, treinamento de líderes e profissionais em ferramentas e conceitos de vigilância;

Fase 4: Implementação e coleta, operacionalização do sistema piloto e registro de dados pelos líderes;

Fase 5: Avaliação e resultados, análise da qualidade, rapidez e utilidade do sistema implementado.

O projeto Guardiões da Saúde envolveu três grupos principais e utilizou duas ferramentas digitais integradas para organizar o fluxo de informações: Lideranças Comunitárias (indivíduos reconhecidos na comunidade, capacitados para a vigilância em saúde), Profissionais de Saúde (atuantes na vigilância e atenção primária, essenciais para detecção precoce) e Gestores de Saúde (que contribuíram com a organização do sistema e continuidade do modelo).

O projeto empregou duas ferramentas digitais integradas, o aplicativo Guardiões da Saúde (GdS), usado pelas lideranças comunitárias para registrar informações, e a plataforma ePHEM, utilizada por profissionais de saúde para analisar e gerenciar os dados recebidos. Essas ferramentas foram cruciais para organizar o fluxo de informações de forma eficiente.

No Brasil, 57 de 245 líderes identificados participaram ativamente. Em Cabo Verde, todas as 68 lideranças da ilha de Sanitago contatadas aderiram ao projeto e produziu-se uma lista organizada, perfis detalhados e um mapeamento inicial das redes comunitárias em pontos estratégicos. 

O referido estudo foi realizado em parceria com o Instituto Nacional de Saúde Pública de Cabo Verde (INSP), a Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo (ProEpi) e a Sala de Situação de Saúde da Universidade de Brasília (SDS/UnB), financiado pelo UK Public Health Rapid Support Team (UK-PHRST).

Veja na íntegra todos os discursos de abertura através do link: https://youtu.be/KnbNO8r8NZY?si=85t9B9lWsiivaH9Q

Leia através do link o relatório resumido dos principais resultados do projeto: Relatório resumido

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Texto: Responsável comunicação do projeto em Cabo Verde: Dárcio Vasconcelos-INSP \PROEPI

Fotos: Arquivo Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo (ProEpi

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