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Situação do Sarampo da Região da CEDEAO

Segundo o Boletim Epidemiológico, da Organização Oeste Africana da Saúde (OOAS) da semana 11 (1-17/03/2019), de 25 março, durante o período de 1 de janeiro a 10 de março de 2019, dos 15 estados membros da comunidade, 14 registaram casos de sarampo exceto Cabo Verde. Foram notificados 2.333 casos confirmados e 35 mortes. Durante o mesmo período em 2018, 4.671 casos confirmados e 35 mortes, também foram notificados nos mesmos 14 estados. Países como Níger e Nigéria, têm vindo a registar um aumento significativo de casos quando comparados com 2018.

O sarampo é uma doença viral altamente infeciosa causada por um morbillivirus. Este vírus afeta apenas seres humanos e se espalha rapidamente entre indivíduos não vacinados. É transmitido por gotículas do nariz, boca ou garganta de pessoas infetadas. No contexto da vigilância epidemiológica, o caso confirmado de sarampo é definido como um caso suspeito confirmado pelo laboratório (serologia positiva para IgM) ou com uma ligação epidemiológica com casos confirmados ou um surto. Embora seja uma doença alvo de programas de eliminação, o sarampo persiste particularmente em alguns países da Ásia e da África.

Os países da CEDEAO comprometeram-se a nível global e continental com a eliminação do sarampo até 2020 e contam com considerável apoio técnico e financeiro de parceiros internacionais (GAVI, Fundação Bill e Melinda Gates, Banco Mundial, UNICEF, OMS, ...). No entanto, a principal estratégia para o atingimento deste objetivo é garantir o financiamento para melhorar o desempenho do sistema de saúde, em consonância com a Declaração de Abuja feita em abril de 2001 em que os Estados Membros comprometeram-se em alocar pelo menos 15% de seus orçamentos nacionais para o setor da saúde. ().

É facto que a eliminação do sarampo requer um investimento nacional em intervenções prioritárias inclui o fortalecimento geral do sistema de saúde, melhorando o acesso a imunização, garantindo práticas seguras de imunização e fortalecendo a capacidade dos trabalhadores de saúde, laboratórios, vigilância epidemiológica e os sistemas de cadeia de frio. A imunização é uma das primeiras medidas de saúde pública em que os governos devem investir devido ao seu grande impacto positivo na saúde das pessoas.

A principal estratégia de saúde pública para o controlo do sarampo é a vacinação rotineira contra o sarampo para crianças, combinada com campanhas de imunização em massa nos países em desenvolvimento com taxa de mortalidade e numero de casos elevados. A vacina contra o sarampo é segura, eficaz e económica. A OMS recomenda duas doses de vacina para garantir a imunidade e prevenir epidemias (entre 9 e 12 meses para a primeira dose e entre 16 e 18 meses para a segunda dose).

No entanto, de acordo com a OMS e UNICEF, a cobertura de imunização contra o sarampo não excede 80% para a primeira dose (sarampo contendo vacina da primeira dose_MCV1) na maioria dos países da África Ocidental. De fato, a cobertura vacinal média (MCV1) dos Estados Membros da CEDEAO, desde 2013, varia entre 72,2% e 78,6%. (veja a fig. 1). Esta situação não diz respeito a Cabo Verde, que desde as últimas epidemias (em 1997 e 2000, respetivamente) deixou de registar um surto de sarampo devido à sua boa cobertura vacinal estimada em mais de 90% desde 2001.

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Fig1: Cobertura Vacinal na região CEDEAO, 2013 -2017;

Fonte: Estimação OMS e UNICEF (julho 2018); fonte Boletim de Informação Epidemiológica, OOAS, Nº2 de Semaine/ of Week 11 (1-17/03/2019)

 

 

 

 

 

No entanto, há necessidade de se reforçarem as medidas de saúde pública nomeadamente o reforço da vacinação e a vigilância epidemiológica para a deteção precoce de casos suspeitos e o devido seguimento e tratamento.