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II Fórum Nacional de Promoção da Saúde deixa novas orientações e pistas para uma promoção da saúde mais eficaz e eficiente em Cabo Verde

O IIº FÓRUM NACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE, que decorreu na cidade da Praia, 17 e 18 de julho sob o lema “promoção da saúde e saúde global”, no Salão de Banquetes da Assembleia Nacional, constituiu um espaço de discussão e prospeção de iniciativas para o enfrentamento dos desafios da promoção da saúde no contexto nacional e global. Pretendeu sobretudo reforçar as políticas de Promoção da Saúde e as capacidades nacionais com vista à melhoria das intervenções de promoção da saúde enquadradas no contexto sanitário nacional e mundial, bem como o reforçar a integração da promoção da saúde nos cuidados de Saúde, melhorar a articulação e partilha das ações de promoção da saúde entre os diversos atores e instituições, nos diversos níveis de intervenção e aprimorar o nível de planificação e das intervenções de promoção da saúde;

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Sessão de Abertura

“Este II fórum nacional de promoção da saúde sob o lema “promoção da saúde e saúde global” vem mais uma vez constituir uma oportunidade de reflexão sobre as ferramentas que têm sido usadas para a promoção da saúde, o seu enquadramento e os desafios que se apresentam no contexto da saúde global.”

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Esta consideração é da Presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, na cerimónia de abertura do II Fórum Nacional de Promoção da Saúde. A cerimónia também foi prestigiada pelo Encarregado do Escritório da OMS em Cabo Verde, Tomas Valdez e pela Directora do Serviço integrado da saúde da criança, da mulher, do homem e do adolescente da DNS, Yorleydis Rosabal.

A cerimónia foi seguida de algumas conferências proferidas por alguns convidados Internacionais, nomeadamente o Doutor Thierry Mertens, Professor Catedrático do IHMT – Portugal, que proferiu a conferência de abertura sobre o tema “A Promoção da Saúde na perspetiva de Saúde Global”. O Doutor Paulo Ferrinho, Diretor do IHMT, cuja conferencia foi “Saúde em Todas as políticas e Planeamento” e o Doutor Fernando Almeida, Presidente do Instituto de Saúde Dr. Ricardo Jorge de Portugal.

 

 

Intervenção do Ministro da Saúde e da Segurança Social, no II Fórum Nacional de Promoção da Saúde

O Ministro da Saúde e da Segurança Social, Arlindo do Rosário, disse que quer uma Promoção da Saúde que se baseia na investigação e nas evidências. Destacou a necessidade de prosseguir com a abordagem intersectorial e interinstitucional na realização de atividades que põe em evidência a saúde como um produto social tendo o MSSS, na liderança de um processo que coloca a saúde em todas as políticas.

Para este Governante, começa-se a ter evidências, de que a mudança de paradigma da saúde em Cabo Verde já é uma realidade, a começar nas politicas públicas, que põem enfoque sobre as determinantes de saúde, nas estratégias de prevenção e promoção, no fomento da intersetorialidade e na transversalidade das ações.

Há um evidente caminhar de mãos dadas, do poder e central e local, instituições públicas e privadas, ONGs, organizações comunitárias, parceiros, rumo a uma visão comum de um Cabo Verde seguro, desenvolvido, inclusivo, com melhores índices de saúde.

Com isso, Arlindo do Rosário disse também que, em matéria de saúde, o país esta no caminho certo pois, ano após ano, continua-se a registar melhorias nos principais indicadores de saúde.

Conseguimos em 2018 baixar a mortalidade infantil para 13/1000, meta prevista para 2021. Prosseguimos com uma alta taxa de cobertura vacinal, reduzimos a incidência e prevalência da tuberculose, baixamos de 0.8 para 0,6 a seroprevalência do VIH, para menos de 1%, a taxa de transmissão vertical para VIH e sífilis, melhoramos as condições nutricionais das crianças até aos seis meses com a promoção do aleitamento materno exclusivo, reduzimos a prevalência da anemia na infância. Estamos a viver mais e a promover a qualidade da saúde em todos os ciclos de vida.

IMG 3366 copy copyPara além destes ganhos, o Ministro elencou ainda melhorias em termos de governação e abordagem dos efeitos das mudanças climáticas para saúde, o reforço os serviços de vigilância e combate as doenças de transmissão vetorial através do fortalecimento dos programas da DNS, do Laboratório de Entomologia Médica e da instalação no INSP da Instância Nacional de Coordenação para uma só Saúde.

Por fim, reconheceu de que, não obstante a tantos ganhos, Cabo Verde tem pela frente importantes desafios, nomeadamente a crescente prevalência de doenças crónicas não transmissíveis, a problemática do alcoolismo, a toxicodependência que de uma forma geral demanda respostas de âmbito nacional, regional e local, integradas, multissetoriais e pluridisciplinares.

Arlindo do Rosário, falava aos participantes do II Fórum de Promoção de Saúde, na manhã do dia 18 de julho.

 

O Programa e as Apresentações

O II Fórum Nacional de Promoção da Saúde, também foi ocasião de apresentação e intenso debates sobre vários temas relacionados com o lema proposto a saber “Promoção da saúde e saúde global”.

Os dois dias ficaram notáveis como marcos onde saíram recomendações importantes para os desafios que esta temática impõe ao país a médio e longo prazo.

Durante o Fórum foram apresentados dois painéis e três mesas redondas, pelos convidados de vários sectores que anteveem de maneira direta ou indiretamente na saúde e bem-estar da sociedade Cabo-verdiana, nomeadamente, as universidades, as ONGS, o poder local através das Câmaras Municipais, os Ministérios de ambiente, agricultura, educação, turismo, entidades que trabalho os direitos humanos e internacional, Inspeção Geral das Atividades Económicas, Agencia Nacional de Água e Saneamento, entre outros que prestigiaram o evento.

 

Exposição sobre Promoção da Saúde marcou pelo diferencial o II Fórum Nacional de Promoção da Saúde

Com um carater científico e prático a exposição realizada a margem do II Fórum Nacional de Promoção da Saúde foi um momento, de acordo com os expositores, de partilha de conhecimentos e intercâmbio entre as diversas instituições presentes, sendo que cada uma a sua missão tem contribuído para uma vida cada vez mais saudável aos Cabo-verdianos.

Do ponto de vista dos visitantes esta exposição foi oportuna e é algo a continuar, pois trouxe a baila muitas atividades e contributos de diferentes instituições antes pouco conhecidos.

De realçar que o Objetivo preconizado inicialmente para esta exposição foi alcançado pois se pretendeu que as instituições parceiras apresentem trabalhos sob forma de posters ou outro tipo de exposição com interesse na área da promoção da saúde de forma a reforçar os conhecimentos e as práticas de promoção da saúde.

Isto Enquadrado nos três pilares que conformam a base da promoção da saúde, nomeadamente, i) A BOA GOVERNANÇA que visa reforçar a governança e as políticas para tornar as escolhas saudáveis alcançáveis e acessíveis para todos e criar sistemas sustentáveis que façam com que a colaboração de toda a sociedade se torne real; ii) CIDADES SAUDÁVEIS que visa criar cidades mais verdes que permitam às pessoas viver, trabalhar e divertir-se em harmonia e de forma saudável; iii) LITERACIA EM SAÚDE que visa aumentar o conhecimento e capacidades sociais de forma a ajudar as pessoas a tomarem escolhas e decisões mais saudáveis para elas e para as suas famílias.

IMG 3207Participar desta exposição o Instituto Nacional de Saúde Pública, como entidade Nacional de Coordenação das politicas de promoção da saúde no país através do departamento de Promoção da saúde fazem uma viagem histórica pelos principais marcos da Promoção da saúde em Cabo Verde na última década. Demostraram as seguintes memórias:

  • O I Fórum Nacional de Promoção da Saúde realizado na Cidade da Praia, em 23 – 24 de novembro de 2011 e as recomendações pertinentes dirigidas aos diferentes atores do processo;
  • A avaliação da Estratégia Nacional de Promoção da Saúde em 2014;
  • O Atelier Nacional de Promoção da Saude que teve lugar em 2017
  • Os Ateliers Regionais de Promoção de Saúde descentralizado realizados nas Regiões Sanitárias e nas diferentes ilhas entre 2017 e 2018;
  • O Seminário de Promoção da Saúde que teve lugar em novembro de 2018;
  • A elaboração do Plano Nacional de Promoção da Saúde 2018- 2021;
  • O Lançamento da Iniciativa Ano da Hipertensão Arterial em 2019;
  • Alem de todos os trabalhos de comunicação na área de Promoção da saúde.

O Instituto Nacional de Investigação Agrária (INIDA) que levou para exposição temas como a biodiversidade agrícola, o resgate e conservação de sementes de variedades locais com enfoque na segurança alimentar e nutricional, as pragas e doenças introduzidas em Cabo Verde e a problemática da quarentena vegetal, avaliação do desempenho de variedades de batata-doce (Ipomoea batatas L.) em três zonas agroclimáticas da ilha de Santiago - Cabo Verde, o comportamento de variedades de cenoura (Daucus carota) em diferentes zonas agroclimáticas da ilha de Santiago, Cabo Verde e registo de novos insetos-praga nas culturas agrícolas.

A Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE) apresentou o papel do IGAE na proteção da saúde pública, segurança no transporte de aguardentes, operações realizadas pela IGAE no combate a infrações contra saúde pública.

O Escritório da OMS em Cabo Verde apresentou as produções e orientações estratégicas da OMS para a Promoção da Saúde, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Iniciativa Cidades Saudáveis, as mudanças climáticas, a Convecção quadro do tabaco entre outros temas.

A Universidade de Cabo Verde expôs posters cientifico relacionado com modelo precede-proceed: aplicação no ensino clínico na comunidade, um trabalho pártico dos alunos de enfermagem daquela universidade.

A Universidade Jean Piaget também mostrou alguns posters científicos sobre vários temas trabalhados pelos estudantes e docentes da instituição.

A exposição esteve patente no al da entrada da sala de banquetes do Assembleia Nacional, durante os dois dias do Fórum.

O Enceramento do II Fórum Nacional de Promoção da Saúde

Ao cair o pano sobre este evento que reuniu mais de 100 participantes em torno da temática durante dois dias na Assembleia Nacional, assumiram com breves discursos a cerimonia de enceramento, Helena Rebelo Rodrigues – Coordenadora da Unidade de Implementação da iniciativa Cidades Saudáveis, Danielson Veiga – Bastonário da Ordem dos Médicos de Cabo Verde e Júlio Rodrigues –Administrador Executivo do INSP.

IMG 3500Helena Rebelo Rodrigues – Coordenadora da Unidade de Implementação da iniciativa Cidades Saudáveis

Foram verdadeiramente dois de muito trabalho, apresentações claras concisas, debate entusiástico e apaixonante, participantes que clamaram e reclamaram por mais tempo de intervenção, do momento que a saúde vive em Cabo Verde. Um momento de mudança de paradigma que de resto nos anunciou e frisou sua Excelência o Ministro da Saúde.

Uma mudança de paradigma que encara a saúde não apenas como ausência de doenças mais sim um estado de bem-estar mental físico e social. O memento em que a multisectorialidade, a intersectorialidade e a transversalidade ocupam um lugar de destaque na agenda da saúde.

De resto a organização destes dois dias de trabalho procurou responder a esse ambicioso desafio. Se no início deste fórum prevalecia uma elevada expectativa relativamente a aquilo que poderia ser o seu contributo enquanto espaço de discussão de ideias, resta-me a certeza seguramente partilhada por cada um de vós, de um contributo efetivo que em conjunto prestamos ao longo destes dois dias.

Quero acreditar que neste encontro continuamos a saga de dar novos mundos ao mundo. Um mundo que se quer mais saudável, onde cabe mercados saudáveis, universidades saudáveis, cidades e comunidades saudáveis e acima de tudo famílias e cidadãos mais saudáveis.

Danielson Veiga – Bastonário da Ordem dos Médicos de Cabo Verde

É importante promover o conceito de promoção da saúde não só junto da sociedade e dos utentes mais também no seio dos profissionais de saúde. Espero que este fórum venha a ter um grande impacto no nosso Sistema Nacional de Saúde e para a nossa população.

Bem-haja ao INSP e também o Promotores de Saúde.

Júlio Rodrigues –Administrador Executivo do INSP

O Fórum superou as nossas expectativas, porque todo o nosso esforço tem sido encontra alternativas de aproximar todos os sectores nesta matéria. Porque o fórum pretendia sobretudo criar espaços de dialogo, de discussão das prioridades e criar cenários da melhor forma de fazer a promoção de saúde no futuro.

Além de todas as novidades que este fórum nos proporcionou, trouxe uma inovação ao trazer para o debate a literatura ligada a promoção da saúde. Discutiu-se muito a questão da intersectorialidade, o direito à saúde, da relação com o território, da saúde única, dos determinantes sociais da saúde e posto isto, obviamente que as coisas não terminam por qui. Nós voltamos a mesma questão: A promoção da saúde que queremos daqui para frente será baseada em quê?

Creio que já temos respostas, pois através das reflexões que tivemos em conjunto creio que já o temos. Podemos não ter todas mais as necessárias para o momento que vivemos ficou plasmado neste fórum.

O certo é que temos que reforçar as redes, adequar as linguagens e abordagens aos diferentes públicos nas intervenções de promoção da saúde, tendo em conta a diversidade, os aspetos culturas, religiosos, étnicos e académicos.

O Instituto Nacional de Saúde Pública enquanto entidade coordenadora das politicas de promoção de saúde fará o seu papel e estará atento as contribuições dos outros no que podem oferecer de melhor.

A todos os participantes, palestrantes, moderadores e conferencistas estamos juntos e até o próximo fórum que esperamos não ser daqui muitos anos.

O II Fórum Nacional de Promoção da Saúde sob o lema “promoção da Saúde e saúde global”, foi promovido pelo Instituto Nacional de Saúde Pública. Contou com o apoio da OMS, da OMCV, do INPS e da Iniciativa Cidades saudáveis.