A cidade da Praia acolheu, na manhã desta sexta-feira, 24 de abril, a mesa-redonda subordinada ao tema “Vulnerabilidades e Desafios na Erradicação do Paludismo – Manter Cabo Verde livre, um compromisso de todos”, numa iniciativa promovida pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) e a Direção Nacional da Saúde (DNS).
O encontro, realizado no Palácio do Governo, enquadra-se nas celebrações do Dia Mundial de Luta Contra o Paludismo, assinalado a 25 de abril, e reuniu representantes de instituições públicas e privadas, parceiros internacionais, organizações da sociedade civil e especialistas nacionais.
A sessão de abertura foi presidida pelo Ministro da Saúde, Dr. Jorge Figueiredo, e contou igualmente com as intervenções da Presidente do INSP, Doutora Maria da Luz Lima, e da representante da Organização Mundial da Saúde em Cabo Verde, Dra. Ann Lindstrand. Na ocasião, os intervenientes destacaram a importância de Cabo Verde manter o estatuto de país livre do paludismo, alcançado em 2024, e sublinharam que este constitui um ganho que exige vigilância contínua, responsabilidade coletiva e investimento sustentável no setor da saúde.
Seguiu-se um momento de contextualização técnica sobre os ganhos alcançados e os desafios persistentes, com enfoque na necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção face ao risco de reintrodução da doença, sobretudo num contexto marcado por fatores como mobilidade populacional, alterações climáticas e presença do vetor .
Durante o painel dedicado à vigilância epidemiológica e entomológica, moderado por Dr. Artur Correia, os especialistas, Enfermeiro Deolindo da Luz e Dra. Silvania Leal, apresentaram dados recentes (2024–2025), evidenciando vulnerabilidades que requerem uma abordagem integrada e contínua, com destaque para o reforço da capacidade de resposta do sistema nacional de saúde.
A segunda mesa-redonda centrou-se nas vulnerabilidades setoriais, abordando dimensões comunitárias, ambientais, fronteiriças e científico-tecnológicas. Intervieram neste painel a Dra. Argentina Tomar, a Delegada de Saude da Praia, Dra. Ulardina Furtado; e o Dr. Adilson de Pina, que destacaram a importância de uma resposta multissetorial, com forte envolvimento das comunidades e integração de soluções inovadoras no controlo vetorial.
Os momentos de debate com o público permitiram uma troca de experiências e perspetivas entre os participantes, reforçando a necessidade de alinhamento estratégico entre instituições e parceiros.
Como principais recomendações saídas do encontro, destacam-se a continuação da vigilância ativa, a aposta na capacitação técnica com foco na especialização, o reforço dos recursos humanos, a promoção de uma responsabilidade partilhada entre instituições e comunidades, bem como o reforço do engajamento comunitário nas ações de prevenção.
A mesa-redonda constituiu, assim, um espaço de reflexão e concertação estratégica, reafirmando o compromisso de Cabo Verde com a eliminação sustentável do paludismo e a proteção dos ganhos alcançados, num contexto em que a vigilância e a ação coordenada continuam a ser determinantes.





























